Custo por viagem do caminhão: como calcular

Aprenda a calcular o custo real de cada viagem do caminhão betoneira e descubra se sua concreteira está perdendo margem sem perceber.

Por Josias da MKT5111 de ago. de 20268 min de leituraVendas
Custo por viagem do caminhão: como calcular

Pergunta rápida: você sabe quanto custa, em reais, mandar um caminhão até uma obra a 25 km da usina? Não o preço do m³, o custo da viagem em si. Combustível, hora do motorista, desgaste do veículo, tempo parado esperando descarga. Se a resposta for "mais ou menos", você não está sozinho. A maioria das concreteiras pequenas e médias precifica o concreto com precisão e trata o frete como um número solto, decidido no feeling do dono ou copiado do concorrente.

O problema é que essa conta solta é justamente onde a margem escapa. Duas obras podem ter o mesmo volume de concreto e margens completamente diferentes, porque uma fica a 8 km da usina e a outra a 35 km, com um pedágio no meio do caminho e um portão de obra que só libera descarga depois das 14h.

Por que "quanto custa a viagem" é a pergunta certa

Muita concreteira ainda pensa em frete como uma tabela fixa por faixa de distância: até 10 km é X, de 10 a 20 é Y, acima disso é Z. Funciona como ponto de partida, mas esconde variações que fazem diferença no fim do mês. Um caminhão que roda 6 viagens por dia numa praça congestionada custa proporcionalmente mais por viagem do que um que roda 10 viagens numa rota livre, mesmo que a distância seja parecida.

Calcular o custo por viagem não é exercício de planilha por planilha. É a base para três decisões que o dono da concreteira toma toda semana: que frete cobrar numa obra fora do raio padrão, se vale a pena aceitar um pedido pequeno numa região distante, e quando a frota já não dá conta e é hora de comprar mais um caminhão betoneira em vez de terceirizar.

Como calcular o custo por viagem (com fórmula)

A fórmula não é complicada, mas exige juntar dados que normalmente estão espalhados entre o financeiro, a oficina e o pátio.

Custo por viagem = (custo fixo por hora × horas do ciclo) + custo variável por km × km rodados

Vamos destrinchar cada parte.

Custo fixo do caminhão

Aqui entram os gastos que existem independente de o caminhão rodar ou ficar parado: depreciação do veículo, seguro, IPVA, salário e encargos do motorista, manutenção preventiva rateada por mês. Some tudo isso, divida pelas horas úteis que o caminhão trabalha no mês e você chega num custo fixo por hora.

Imagine uma concreteira que tem um caminhão betoneira cujo custo fixo mensal (motorista, seguro, depreciação, manutenção) soma 18 mil reais, e o veículo trabalha 200 horas úteis no mês. O custo fixo por hora é 90 reais. Simples assim, mas é a parte que a maioria das concreteiras nunca calculou.

Custo variável por quilômetro

Combustível, pneus, óleo e desgaste extra por km rodado. Esse número costuma vir da própria oficina ou de uma média histórica de consumo. Numa concreteira com betoneira sobre chassi pesado, é comum esse custo variável ficar entre 3 e 6 reais por km, mas isso varia tanto de cidade para cidade e de veículo para veículo que o único jeito confiável é calcular com os dados reais da sua frota, não com uma média de mercado.

Caminhão betoneira em operação de logística

Tempo de ciclo e ociosidade

Esse é o ponto que mais concreteira ignora. O ciclo da viagem não é só ida e volta. É carregamento na usina, deslocamento, tempo de descarga na obra (que varia muito conforme a obra tem ou não bomba, acesso fácil, equipe organizada) e retorno. Uma obra que demora 40 minutos a mais para liberar a descarga está, na prática, cobrando um custo extra que ninguém está lançando em lugar nenhum.

Vale reforçar aqui: o Sebrae tem material voltado a pequenos negócios sobre como estruturar planilhas de custo operacional, e o princípio vale igual para frota de concreteira, rateando custo fixo pelo tempo real de uso, não pelo tempo ideal no papel.

Tem outro detalhe que passa batido: fila de caminhão na obra. Se três betoneiras chegam no mesmo horário porque a obra pediu tudo junto e só existe um ponto de descarga, o segundo e o terceiro caminhão ficam parados rodando o motor à toa. Esse tempo parado entra na conta do ciclo igual ao tempo de descarga em si, e é um dos motivos pelos quais duas obras "iguais" no papel geram custos de viagem tão diferentes na prática.

Um exemplo prático de ponta a ponta

Vamos juntar as peças. Imagine uma concreteira que atende uma obra a 20 km da usina. O ciclo completo (carregar, ir, descarregar, voltar) leva 1h40. Com custo fixo de 90 reais por hora, isso dá 150 reais só de custo fixo na viagem. Some o custo variável: 40 km rodados (ida e volta) a 4,50 reais o km, mais 180 reais. Total da viagem: 330 reais.

Se essa concreteira está cobrando um frete fixo de 200 reais para qualquer obra até 25 km, como muitas fazem, ela está perdendo 130 reais por viagem sem perceber. Multiplique isso por 15 ou 20 viagens no mês para essa faixa de distância e o rombo aparece na conta bancária antes de aparecer na planilha.

Esse tipo de conta conecta direto com a precificação do m³: se o frete está subsidiando o cliente sem querer, a margem que parecia boa no orçamento vira prejuízo disfarçado na entrega.

O que fazer com esse número na prática

Depois de calcular o custo real por viagem, três decisões ficam muito mais claras.

Primeiro, a tabela de frete por faixa de distância pode ser revisada com dado, não com achismo. Se uma faixa está sistematicamente abaixo do custo, é hora de ajustar, mesmo que isso signifique uma conversa desconfortável com um cliente acostumado ao preço antigo.

Segundo, decisões de expansão de praça ficam mais seguras. Antes de aceitar atender uma região mais distante, dá para simular o custo por viagem daquela nova área e comparar com o que o mercado local paga, em vez de descobrir na prática que a operação não fecha conta.

Terceiro, o custo por viagem vira argumento de negociação. Quando um cliente pede desconto no frete alegando que "é só descer a rua", o vendedor tem um número real para responder, não uma desculpa genérica.

Erros comuns ao calcular esse custo

O primeiro erro é usar só o custo variável (combustível) e esquecer o fixo. Isso faz o custo por viagem parecer artificialmente baixo, porque o motorista e a depreciação do caminhão continuam existindo mesmo quando ele está parado.

O segundo erro é medir a distância pelo mapa e não pelo tempo real de ciclo. Duas obras à mesma distância em km podem ter custos de viagem bem diferentes se uma fica num bairro com trânsito parado no horário de pico e a outra numa via rápida.

O terceiro erro é calcular uma vez e nunca mais revisar. Combustível sobe, salário do motorista reajusta, a frota envelhece e o custo de manutenção muda. Uma planilha de custo por viagem que não é atualizada a cada seis meses vira uma referência tão errada quanto não ter conta nenhuma.

Perguntas frequentes

Preciso calcular isso para cada obra individualmente?

Não é necessário calcular viagem por viagem no dia a dia. O ideal é ter faixas de distância e tempo de ciclo médio calculadas com antecedência, e recalcular pontualmente quando surgir uma obra fora do padrão, como uma região nova ou um cliente com acesso difícil.

Como faço se não tenho dados precisos de manutenção e consumo?

Comece com uma estimativa razoável baseada nas notas fiscais de combustível e nos últimos gastos de oficina dos últimos seis meses. Não é preciso perfeição no primeiro cálculo, o importante é sair do zero absoluto e refinar o número com o tempo. Depois de dois ou três meses rodando com essa estimativa, compare com o caixa real e ajuste: o cálculo melhora sozinho conforme a rotina de anotar horas e km entra na cultura da equipe.

O custo por viagem deve aparecer separado no orçamento do cliente?

Depende da sua estratégia comercial. Algumas concreteiras preferem embutir no preço do m³, outras cobram frete à parte de forma transparente. O que não pode acontecer é o número existir só na cabeça do dono e nunca virar política clara para toda a equipe de vendas.

Isso muda alguma coisa na hora de negociar com construtoras grandes?

Muda bastante. Construtoras grandes costumam negociar volume e prazo com mais intensidade, e ter o custo por viagem calculado evita que o desconto no frete vire prejuízo silencioso justamente nos contratos de maior porte, que deveriam ser os mais rentáveis.

Se sua concreteira ainda decide frete no olho e quer transformar isso em processo, com número, argumento de venda e decisão de expansão baseada em dado real, a equipe da MKT51 pode ajudar a organizar esse diagnóstico junto com a estratégia de marketing e vendas. Agende um diagnóstico gratuito e veja onde sua operação está deixando margem na estrada.

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Josias · MKT51

Da equipe da MKT51, aceleradora de vendas especializada em concreteiras. Quem escreve aqui atende concreteira todos os dias.

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