Lançamentos em queda: o alerta pra sua concreteira

Vendas de imóveis sobem, mas lançamentos caem no Brasil. Entenda o que esse descompasso sinaliza pro fluxo de obra da sua concreteira nos próximos meses.

Por Josias da MKT5109 de set. de 20268 min de leituraVendas
Lançamentos em queda: o alerta pra sua concreteira

O dado que passou batido nas rodas de conversa

Enquanto todo mundo comenta a alta do crédito para construção (o financiamento saltou de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões no primeiro semestre, alta de 107% na comparação anual, segundo o CBIC), um número menor ficou escondido no meio do relatório: as vendas de imóveis novos cresceram 5,3% no segundo trimestre, mas os lançamentos recuaram 1,3% no mesmo período, também de acordo com o CBIC.

Traduzindo pro chão da usina: o brasileiro está comprando mais imóvel do que as construtoras estão lançando. Parece bom no primeiro olhar (menos estoque parado, mercado mais saudável), mas pra quem vende concreto, esse é o tipo de sinal que costuma chegar com seis, doze, dezoito meses de atraso na sua planilha de faturamento.

Pense no ciclo. Lançamento vira aprovação de projeto. Aprovação vira canteiro. Canteiro vira pedido de concreto. Se o número de lançamentos cai agora, o efeito na sua agenda de concretagem não aparece hoje. Aparece quando os projetos que já estão em obra terminarem e não tiver fila de reposição atrás.

Por que vendas fortes não garantem fila de obra amanhã

É tentador olhar só pro crédito aquecido e achar que está tudo resolvido. O dinheiro está disponível, o comprador está no mercado, a Selic dá sinais de ceder. Só que crédito financia quem já tem imóvel pronto ou em construção pra vender. Não cria projeto novo do zero.

Construtora grande decide lançar (ou não) olhando margem, custo de terreno, velocidade de venda do estoque atual. Se ela está vendendo rápido o que já lançou mas segurando os próximos lançamentos, pode ser cautela com custo de insumo, pode ser espera por um cenário de juro melhor, pode ser simplesmente falta de terreno viável na praça. O motivo importa menos pra você do que o efeito: menos projeto novo entrando no funil de quem depende de obra grande pra fechar a agenda do mês.

Isso não é motivo pra pânico. É motivo pra olhar a composição da sua carteira antes que o problema apareça na fila vazia.

Vale lembrar também que o consumo de cimento no país fechou 2025 em 66,9 milhões de toneladas, alta de 3,68% sobre 2024, conforme dados divulgados pelo ABCP. O setor como um todo está consumindo mais, isso é fato. A questão não é se o mercado cresce, é onde esse crescimento vai parar dentro da sua região e da sua carteira específica. Crescimento nacional não garante volume igual em cada usina, cada praça tem sua dinâmica própria de terreno disponível, apetite de incorporadora local e ritmo de aprovação de projeto na prefeitura.

O que isso significa pro seu funil comercial

Se metade (ou mais) do seu volume de m³ sai de dois ou três construtoras grandes, esse dado deveria acender um alerta amarelo. Não porque essas obras vão parar amanhã, mas porque o próximo ciclo delas pode vir mais devagar do que o ciclo atual. Já escrevi sobre esse risco específico em concentração de carteira: quando poucos clientes grandes sustentam a operação, qualquer soluço no calendário de lançamentos deles vira soluço direto no seu caixa.

A pergunta que vale fazer nessa semana, não daqui a seis meses: se a construtora X não lançar nada novo no próximo trimestre, quanto da sua agenda sobra? Se a resposta for "pouco", já dá pra agir agora, enquanto ainda tem fôlego.

Reunião de planejamento comercial em concreteira

Três frentes pra não depender só do lançamento da construtora grande

Reforma e obra residencial pequena

Enquanto o lançamento de empreendimento grande desacelera, a obra de reforma e a construção residencial pequena seguem um calendário próprio, mais ligado à renda das famílias e ao crédito habitacional do que ao apetite de incorporadora. É um volume menor por pedido, mas com ciclo de decisão mais curto e menos dependência de um único comprador.

Parcerias B2B com quem constrói pra terceiros

Empreiteiras, construtoras médias que fazem obra sob encomenda e escritórios de engenharia que atendem pequenos investidores costumam ter demanda mais estável do que incorporadora que lança na especulação do mercado. Se você ainda não tem esse canal estruturado, o caminho está detalhado em parcerias B2B: geralmente é a forma mais rápida de trazer receita nova sem depender de mídia paga.

Prospecção ativa enquanto o crédito ainda está favorável

O crédito aquecido de agora (como já tratamos aqui) é uma janela. Ele está puxando obra pra cima em geral, só que distribuída de um jeito diferente do ciclo anterior. Use esse momento pra prospectar quem está construindo com recurso próprio, financiamento direto ou consórcio, não só quem depende de lançamento de incorporadora. Ligação de retomada de contato, visita a canteiro concorrente que está com fila cheia, conversa com engenheiro que fecha obra pequena: tudo isso rende mais quando feito antes da fila apertar, não depois.

A conversa que vale ter com o time comercial essa semana

Se você tem vendedor interno ou orçamentista, esse é um bom momento pra sentar com eles e revisar de onde vem cada pedido fechado nos últimos três meses. Não pra cobrar meta, pra mapear dependência.

Pergunte direto: dos cinco maiores pedidos do mês passado, quantos vieram da mesma construtora? Quantos vieram de cliente novo, nunca atendido antes? Se a resposta mostrar que a receita está concentrada em pouca gente, o time comercial precisa saber disso pra ajustar o próprio ritmo de prospecção, não só esperar o telefone tocar.

Isso também muda a prioridade da agenda de visitas. Em vez de só atender quem já compra, vale reservar um dia fixo na semana pra prospecção fria: engenheiro que abriu escritório novo na região, construtora média que ainda não é cliente, arquiteto que atende reforma residencial. Esse tipo de prospecção não dá resultado em uma semana, mas é justamente o trabalho que precisa estar rodando antes da fila apertar, não depois que ela já esvaziou.

Um erro comum aqui é o vendedor interno achar que "não é hora de prospectar porque está tudo cheio". É exatamente o contrário: quando a agenda está cheia é o momento mais barato de prospectar, porque não existe pressão de fechar a qualquer custo. Quem prospecta só quando a fila esvazia, negocia com a corda no pescoço.

Como acompanhar isso sem virar alarmista

Não precisa criar um painel complexo. Duas coisas resolvem:

  • Revise a composição da carteira a cada trimestre. Quanto do volume vem de obra grande, quanto vem de obra pequena e reforma, quanto vem de parceria B2B. Se um pilar só está crescendo enquanto os outros dois murcham, é sinal de concentração, não de sucesso.
  • Acompanhe os indicadores do setor uma vez por mês, não todo dia. O CBIC publica indicadores trimestrais, e o Sebrae tem material de gestão pra pequena e média empresa da construção. Não é pra virar economista, é pra não ser pego de surpresa.

Um orçamentista de concreteira média me contou uma vez que só percebeu a queda de lançamento na região quando a fila de concretagem do mês seguinte já estava pela metade. Se ele tivesse olhado o dado do setor três meses antes, teria tido tempo de reforçar a prospecção de obra pequena antes de sentir o buraco no caixa. Esse é o tipo de antecedência que separa quem reage e quem se antecipa.

Perguntas frequentes

Lançamento em queda significa que a demanda de concreto vai cair também?

Não necessariamente e não de imediato. As obras já em andamento continuam consumindo concreto normalmente. O efeito de menos lançamento aparece mais na fila futura, quando esses projetos atuais terminarem e não houver reposição no mesmo volume.

Vale a pena reduzir investimento em marketing agora, já que o crédito está aquecido?

Ao contrário: esse é o momento de manter ou aumentar a prospecção, principalmente em canais que não dependem de incorporadora grande, como parceria B2B e busca local no Google. Quem some do radar agora sente mais quando o ciclo apertar.

Como sei se minha concreteira está muito dependente de poucos clientes grandes?

Some o volume de m³ vendido pros três maiores clientes nos últimos seis meses e compare com o total do período. Se esse número passar de 50%, já vale montar um plano de diversificação antes que a decisão de lançamento de um único cliente pese demais no seu caixa.

Esse cenário é igual em todas as regiões do Brasil?

Não. O ritmo de lançamento varia por praça, conforme disponibilidade de terreno, custo local de construção e demanda represada. Vale acompanhar o indicador regional, quando disponível, além do número nacional divulgado pelo CBIC.

Se você quer entender exatamente como está a composição da sua carteira hoje e onde vale reforçar a prospecção antes que o ciclo de lançamento aperte de vez, agende um diagnóstico gratuito com a MKT51 e vamos montar esse mapa juntos.

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Josias · MKT51

Da equipe da MKT51, aceleradora de vendas especializada em concreteiras. Quem escreve aqui atende concreteira todos os dias.

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