Preço do concreto em 10 anos: o que os dados dizem
Dez anos de dados sobre o preço do concreto no Brasil mostram onde o custo pesou mais e por que medir sua própria margem vale mais que comparar tabela.
Quanto custava o metro cúbico de concreto na sua região há dez anos? Poucos donos de concreteira guardam essa memória com precisão, e é compreensível: no dia a dia a pergunta que importa é a de hoje, com o cliente esperando a proposta. Mas olhar a série longa ajuda a enxergar um padrão que o calor do mês não deixa ver.
Reunimos uma análise de dez anos de dados públicos sobre preço do concreto, custo de insumos e ciclo da construção civil no Brasil, de dezembro de 2015 a dezembro de 2025. O material completo, com os gráficos interativos e a tabela ano a ano, está disponível neste link para quem quiser conferir a íntegra. Vale um aviso direto: essa análise foi produzida com apoio de inteligência artificial, cruzando fontes públicas, e por isso traz também as ressalvas de cada número. Aqui ficam os achados que mais importam para quem vende concreto no balcão, não no gráfico.
O que a série de dez anos mostra
O primeiro ponto é também o mais óbvio: o preço subiu mais que a inflação no período, mas não de forma constante. Houve anos de queda real (o preço corrigido ficou mais baixo que no ano anterior) entre 2015 e 2019, e um salto concentrado em 2022, quando o custo de materiais de construção disparou no país inteiro. Depois disso, o preço real andou de lado, sem repetir o choque.
Isso é diferente do que a lembrança costuma guardar. Quem só recorda "o concreto não para de subir" está misturando dois períodos muito diferentes: um de recessão, com preço real recuando, e outro de choque de custo, puxado por fatores que vieram de fora do canteiro.
O que o IBGE confirma de forma direta
A Pesquisa Industrial Anual do IBGE acompanha a receita e o volume vendido de concreto usinado pelas empresas que respondem a pesquisa, e mostra algo relevante sobre o tamanho do mercado: o volume vendido pelas unidades informantes caiu de 28,7 milhões de m³ em 2015 para 19,9 milhões em 2017, no fundo da recessão, e só voltou a 30,8 milhões de m³ em 2023 (ibge.gov.br). Oito anos para o volume informado se recuperar é um dado que conversa direto com quem viveu agenda vazia na época e fila de obra depois.
O IPCA, também medido pelo IBGE, é a régua usada para separar alta nominal de alta real nessa comparação: sem corrigir pela inflação, qualquer aumento de preço parece vitória, e não é (ibge.gov.br).
Custos que pesaram mais que o concreto
Um dos achados mais úteis da análise é também o mais contraintuitivo: no painel de preços acompanhado, areia, brita e diesel subiram mais que o próprio concreto no acumulado de dez anos. Cimento e mão de obra, por outro lado, subiram menos que o concreto no mesmo período.
Isso tem uma consequência prática direta pra quem está calculando a margem do m³: se a sua planilha de custo trata "insumo" como um bloco único, ela está escondendo de você qual componente está de fato comendo a margem. A CBIC documentou a alta de materiais de construção em 2020 e 2021 como um movimento setorial, puxado por commodities e câmbio, não como escolha de fornecedor (cbic.org.br). Saber que o vilão foi agregado e frete, e não cimento, muda a conversa que você tem com o cliente sobre repasse de reajuste.
Vale separar bem duas coisas que a análise insiste em não confundir: pressão de custo não é o mesmo que perda de margem. Um insumo que sobe mais que o concreto pressiona a conta, mas só afeta o lucro de verdade na proporção em que esse insumo pesa na composição do seu m³. E essa proporção é sua, específica da sua usina, do seu mix de traço e da sua logística. Nenhum painel nacional calcula isso por você.
Margem: o número que ninguém publica
Aqui está talvez o achado mais importante para quem toma decisão de preço: não existe margem setorial publicada para concreto usinado no Brasil. Nenhuma concreteira independente é companhia aberta, e as poucas empresas de cimento com concreto no grupo não separam esse resultado nas demonstrações financeiras. O IBGE também não isola o concreto usinado nas suas tabelas de indicadores econômico-financeiros, porque a classificação mistura concreto com pré-moldados, blocos e outros produtos.
A saída não é esperar que alguém publique esse número. É medir a própria margem por m³, com o custo real da sua operação: cimento comprado a granel (não o preço de balcão), agregado, frete, equipe de bomba e motorista, manutenção de frota. Quem já estrutura esse acompanhamento junto com os indicadores de margem de contribuição por cliente sai na frente, porque identifica rápido qual obra, qual cliente e qual traço estão de fato sustentando o resultado do mês.
## O preço não é igual em todo lugar nem em toda época
Outro ponto que a análise reforça, e que quem trabalha com mais de uma praça já sabe de cor: o preço de referência do concreto varia bastante de um estado para outro, porque cada região tem sua própria dinâmica de frete, disponibilidade de agregado e concorrência local. Tratar o "preço nacional do concreto" como um número único esconde essa diferença, e é por isso que comparar sua tabela com a de uma usina em outro estado raramente ajuda em alguma decisão prática.
O mesmo vale para o tempo. A atividade da construção civil no Brasil tem fases de expansão e de desaceleração que não seguem um calendário fixo, e cada fase pressiona o preço e a demanda de um jeito diferente. A CBIC acompanha esse ciclo com regularidade e costuma publicar projeções para o ano seguinte (cbic.org.br). Para quem decide preço e agenda de entrega, vale menos tentar prever o ciclo com exatidão e mais montar uma rotina de leitura mensal desses indicadores, de forma que o reajuste da sua concreteira nunca seja surpresa para o cliente nem para o seu próprio caixa.
Juntando os dois pontos, região e tempo, a conclusão prática é a mesma do restante da análise: números nacionais servem para dar contexto, não para substituir o acompanhamento da sua operação, na sua praça, no seu mês.
Como usar esses números na sua concreteira
Três movimentos práticos saem direto dessa análise, sem precisar virar analista de dados:
- Separe nominal de real na sua própria planilha. Se você só olha o preço do m³ subindo em reais correntes, está vendo metade do filme. Corrija pela inflação do período que você quer comparar antes de decidir se o reajuste acompanhou o custo ou ficou atrás.
- Acompanhe insumo por insumo, não "custo" como bloco. A análise mostra que cimento e mão de obra andaram mais devagar que agregado e diesel no período. Na sua usina a proporção pode ser diferente, mas só descobre quem separa a conta.
- Pare de buscar a margem "do mercado" e meça a sua. Ela não existe publicada, e provavelmente nunca vai existir, porque a estrutura de custo varia demais entre uma usina de bairro e um grupo com frota própria em três praças.
Nenhum desses três pontos exige ferramenta cara. Exige rotina: alguém revisando os números todo mês, com os mesmos critérios, para que a comparação ano a ano signifique alguma coisa.
Perguntas frequentes
O preço do concreto subiu mais que a inflação nos últimos dez anos?
No período analisado (dezembro de 2015 a dezembro de 2025), o preço nominal subiu mais que o IPCA acumulado no mesmo intervalo, mas o ganho real ficou concentrado principalmente em 2022, ano de choque de custo de materiais. Nos anos de recessão anteriores, o preço real chegou a recuar.
Por que não existe uma margem média do setor de concreto usinado para comparar?
Porque nenhuma concreteira independente é companhia aberta, as poucas empresas de cimento com operação de concreto não separam esse resultado nas demonstrações financeiras, e o IBGE agrupa o concreto usinado com outros produtos de cimento nas suas tabelas setoriais. Sem essas três fontes, não há como publicar uma média nacional confiável.
Qual insumo pesou mais no custo do concreto nesses dez anos?
No painel acompanhado pela análise, agregados (areia e brita) e diesel subiram mais que o preço do concreto no acumulado do período. Cimento e mão de obra subiram menos. A proporção exata de cada insumo no seu custo, porém, depende da composição específica da sua usina.
Como eu calculo minha própria margem por m³ sem depender de dados do setor?
Reúna o custo real de cada componente do seu traço (cimento a granel, agregado, aditivo), some frete, bomba, equipe e manutenção de frota rateada por viagem, e compare com o preço líquido recebido por m³ entregue. Repetir esse cálculo todo mês, por obra e por cliente, é o que substitui a margem "de mercado" que não existe publicada.
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Josias · MKT51
Da equipe da MKT51, aceleradora de vendas especializada em concreteiras. Quem escreve aqui atende concreteira todos os dias.
